POLIS

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O projeto nasce com foco no comportamento político nas sociedades contemporâneas e nos efeitos dos movimentos sociais e políticos atuais sobre as liberdades e processos emancipatórios, bem como seus impedimentos em escala local, nacional e global. Tem por objetivos o desenvolvimento de um campo interdisciplinar de reflexão e prática investigativa e divulgadora, reunindo debates em torno de questões como: preconceito, racismo, sexismo, xenofobia, movimentos sociais, violência coletiva social, relações de poder, movimentos emancipatórios de povos e nações, valores democráticos e autoritarismos, laicidade, análises de discursos e ideologias, de universos simbólicos e práticas institucionais. Nessa perspectiva, o Polis atua desde sua criação formal em 2013, como projeto de extensão e em 2015 como Blog para divulgação e atualização.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

A Berlim que não ficou só no passado ou um adeus a Berlim/The Berlin that is not just in the past or a Goodbye to Berlin*







Foto 1:  Distrito de Schöneberg (1)


A natureza me pregou uma peça 

Charlotte von Mahlsdorf



Goodbye to Berlin, livro de Christopher Isherwood, foi o romance autobiográfico que inspirou o famoso filme de Bob Fosse (não muito fiel ao livro em seus detalhes “sexuais”) Cabaret, lançado em 1972. Na grande tela Liza Minelli como a extravagante cantora de boate, Sally Bowles e Michael York como Brian Roberts (ou Christopher Isherwood). O livro foi publicado pela primeira vez em 1939, na altura em que eclodia a Segunda Guerra Mundial. 

O estudante da Universidade de Cambridge, Brian Roberts, chega a Berlim em 1931 para continuar com seus estudos de alemão. Sem muito dinheiro, planeja ganhar a vida ensinando inglês enquanto mora em uma pensão barata, onde faz amizade com uma das inquilinas, a americana Sally Bowles. Ela, uma pessoa extravagante e sempre feliz, trabalha como cantora no decadente Kit Kat Klub, um local estilo cabaré. A "fachada externa" carregada de Sally combina com a do Klub. Ela é assessorada pelo onipresente Mestre de Cerimônias do local. Sally atrai Brian para seu mundo, inicialmente desejando tê-lo como mais um de seus muitos amantes, até descobrir que, embora disponível, pois solteiro, é homossexual. Entre outros amigos estão os alunos de Brian, o pobre Fritz Wendel, que quer ser um gigolô para viver uma vida confortável, e a certinha e bela Natalia Landauer, uma rica herdeira judia. Fritz inicialmente vê Natalia como seu bilhete de loteria, mas termina por se apaixonar por ela. No entanto, Natalia suspeita de seus motivos, além de não conseguir superar suas diferenças religiosas. Também na vida de Sally e Brian entra o rico Barão Maximilian von Heune, que tem a mesma visão de vida extravagante de Sally, mas diferentemente dela, com dinheiro para sustentar-se. Max está disposto a bajular seus novos amigos com presentes e favores. Aproximando-se de todos eles está o terror nazista, a que eles parecem dar pouca atenção e não tomarem o cuidado necessário naquelas circunstâncias. Acabam tendo que aprender que a vida, em todos os seus aspectos bons e particularmente ruins, continua a aprontar com eles e com todos os outros a seu redor.(2) 


    Li o livro de Isherwood quando ainda vivia em Colônia, antes de ter estado em Berlim. Influenciou-me muito, naquela altura. Conseguiu despertar em mim um interesse especial pela história de Berlim na perspectiva daquela época, qual seja, da grande liberdade, especialmente no campo da  sexualidade, se comparado com o que acontecia em outras cidades europeias. Ver que nos anos 1930/40 já havia um certo avanço nessa direção, caso seja levado em conta a realidade de outras metrópoles como Londres, era estimulante para buscar saber mais acerca desse lado, pouco contado, da história social urbana alemã, bem como de Berlim. Nos anos noventa, quando nos encontrávamos naquela cidade, fomos conhecer a casa/museu Charlotte von Mahlsdorf na sua antiga parte oriental (República Democrática da Alemanha, ex-DDR). Uma figura icônica que confrontou os conservadores de sua época e, pasmem, viveu não apenas abertamente como gay, onde e quando não deveria haver “gays”, pelo menos oficialmente, indo muito além disso. Charlotte von Mahlsdorf foi um bastião contra a homofobia e pela promoção de conhecimento sobre a homossexualidade, um grande tabu na época e local em que viveu. No entanto ela não conquistou apenas admiração e respeito por seu passado de luta e engajamento. As dúvidas que pairaram sobre acontecimentos de sua vida pregressa, as suspeitas sobre suas relações perigosas com a Stasi, a principal organização de polícia secreta e inteligência da DDR, comprometeram sua reputação. Relações que levantaram suspeitas, com razão, e fizeram com que seu museu e ela mesma se tornassem, muitas vezes, vítima de ataques violentos de diferentes pessoas e de grupos anti-fascistas. 

Se ela tivesse 30 e poucos anos e não 72, muitos, certamente, teriam decidido considera-la uma pessoa que fracassou. Charlotte von Mahlsdorf, que como uma transexual de Berlim Oriental e dona do Museu Mahlsdorf Gründerzeit se tornou uma berlinense proeminente após a reunificação, emigrou para a Suécia há dois anos. Os verdadeiros outsiders geralmente preferem países mais a sul com temperaturas mais quentes, como Portugal ou Marrocos. No entanto, Charlotte, nascida como Lothar Berfelde, sempre foi diferente das outras pessoas. Sua frase padrão, que repetia para todos com quem falava, até já foi registrada em celulóide no lendário filme de Heiner Carow "Coming Out": "A natureza me pregou uma peça”. Em meados da década de 1990, a grande dama dos relógios de pêndulo e dos armários ganhou as manchetes porque seus contatos com a Stasi puderam ser comprovados. Embora não negasse, sempre enfatizou que "simplesmente se meteu naquilo", mas nunca prejudicou ninguém. Tudo o que fez foi apenas para "salvar" seus objetos e móveis. (Simone Schmollack, welt.de). 





Foto 2: Visita ao Museu Mahlsdorf


    Sua vida também foi contada no semidocumentário dirigido por Rosa von Praunheim, que mostra o percurso da travesti da antiga Alemanha Oriental Charlotte von Mahlsdorf, sobrevivente do nazismo, da repressão comunista e a  fundadora de um dos principais refúgios para homossexuais em seu país, que era fechado a essa realidade. Nos Estados Unidos virou "I Am My Own Wife”, na Broadway, pelas mãos de Doug Wright, baseado nas conversas que teve com Charlotte von Mahlsdorf. Em Portugal tomou corpo no teatro com a tradução “Eu sou minha própria mulher”. 

 



Foto 3: Cartaz da peça "Eu Sou Minha Própria Mulher"




    Edwin Luisi, aos 61 anos,  em plena maturidade no ofício de ator resolveu produzir sua primeira montagem teatral. O ator levou para os palcos a história real de Charlotte von Mahlsdorf, essa sobrevivente bastante singular da Alemanha nazista. 


Nascida na Alemanha em 1928, Charlotte von Mahlsdorf era, na verdade, Lothar Berfelde, um homem que, desde sua adolescência, se travestia de mulher. O espetáculo "Eu Sou Minha Própria Mulher", que marca a primeira direção de Herson Capri, conta a história desse alemão que, como diz o texto da peça, ainda que "batido" parecia ter seios e, para se tornar uma mulher, só precisava de seu colar de pérolas e uma longa saia preta. Nascida e criada na Alemanha Oriental, sobreviveu ao nazismo e depois ao comunismo mantendo um cabaré clandestino e montando um museu. Uma história que tem ingredientes como violência, amor e preconceito. Edwin Luisi, sozinho no palco, interpreta, além de Charlotte, todos os outros personagens que fizeram parte da vida dela.(3)


Já o romance de Isherwood que me levou a querer saber mais da história desses anos de ouro de Berlim, é autobiográfico e ambientado numa Berlim do início da década de 1930, quando a cidade estava prestes a perder sua fama de centro da arte, música, design, boemia e decadência, “à medida em que a ruína econômica começava a fazer parte da vida cotidiana e a violência nazista se afirmava nas ruas, enquanto Hitler iniciava sua marcha para se tornar o Führer”. 



Outono de 1930: Isherwood mora em um “apartamento grande e sujo” numa rua bastante movimentada, onde prostitutas se reúnem próximo a sua janela. O apartamento é de propriedade da “nova-pobre” Fräulein Schroeder, que seguiu o destino dos demais compatriotas ao se tornar, também, uma de tantas a passar por tempos difíceis. Para ela, o “Herr Issyvoo” é objeto de grande curiosidade e interesse, assim como seus demais inquilinos, em número de seis, que deixaram-na dormir em um sofá velho da sala para que ela pudesse ganhar mais alguns Deutsche Mark alugando todos os cômodos de sua casa. 

Apesar de ter se mudado de uma Londres conservadora e homofóbica e, ainda por cima, vindo de uma família igualmente conservadora para uma Berlim tolerante e avant-garde com inúmeros bares gays, teatros, cabarés, ainda teve a chance de desfrutar de uma experiência libertária no pouco tempo que isso durou. Já chegou à cidade quando esse “paraíso" na terra se desfazia. “Tolerância e aceitação estavam prestes a serem esmagadas pelo regime nazista, quando o antissemitismo e a intolerância se tornaram parte da conversa dos alemães comuns em busca de bodes expiatórios para seus problemas econômicos”. O próprio Christopher teria corrido o risco de ser capturado pelos nazistas caso não tivesse fugido a tempo de Berlim. A literatura de Christopher foi um alerta e uma denúncia dos horrores que ainda estavam por vir dominar a cidade então conhecida por sua tolerância e liberdade: a primeira cidade do mundo a criar uma associação homossexual com o objetivo de proteger sua população gay e lésbica, para que assim obtivessem reconhecimento e suporte no combate à perseguição pelo Estado. Essa associação inovadora remonta ao ano de 1897, o que significa ter sido criada há bem mais de um século. O boom de bares e clubes na década de 1920 foi substituído pelo difícil período que começou em 1934. A população local que sobreviveu à guerra e apesar do que passava naqueles tempos difíceis, buscava uma forma de voltar a viver nos igualmente difíceis tempos do pós-guerra, desta feita com alguma esperança de superação. Em 1946,  bailes e festas logo voltaram a acontecer e formar, gradativamente, uma cena alternativa na cidade até alcançar seu  estágio atual. Apesar de ter perdido muito da abertura e significado vanguardista do seu passado, continua sendo um cenário de muitas opções, associações, museus e eventos, nessa que é uma das capitais mais cosmopolitas e gay friendly na Europa.




Foto 4: Placa na casa onde morou Christopher Isherwood em Berlim.


    Para uma reconciliação (Wiedergutmachung) com esse passado autêntico da cidade, começo por descrever certas ruas da região nos dias de hoje, dessa mesma região que abrigou as histórias e a vida berlinense de Christopher. Esse será nosso ponto de partida. Aliás, comecemos pela Nollendorfplatz, no distrito de Schöneberg, um ponto de confluência da cena gay e lésbica desde a década de 1920. Passemos para as tais ruas “de que vos falava” para que possa mostrar o que me chamou a atenção no bairro. A Berlim de hoje, congrega muitas tribos e, nessa região principalmente (mas não somente), a cultura queer. “Fugger” ou “Fuggerstraße” e Motzstraße são duas dessas ruas. Muito do flair da Berlim colorida e gay friendly que antecedeu o nazismo voltou a reinar por aqui. Há uma coexistência de sub-culturas que, como bem afirma Karen Noetzel, remete aos Golden Twenties:

Aí, logo que se vira a esquina, na Martin-Luther-Strasse, "Tout Berlin" se reunia entre 1926 e 1932 no atrativo primeiro "Eldorado", uma "companhia de travestis encenada pela e para a curiosidade cosmopolita"… Na época, estava na moda passar a noite por aqui. Entre os convidados estavam diretores de bancos, membros do Reichstag e estrelas como Marlene Dietrich, Claire Waldoff e Anita Berber, jornalistas e escritores proeminentes como Egon Erwin Kisch e Ferdinand Bruckner, o sexólogo Magnus Hirschfeld e o chefe da SA Ernst Röhm… Fundado em 1920, o "Scala" foi um dos teatros de variedades mais famosos da Alemanha… O "Scala", anteriormente em grande parte de propriedade de judeus, foi "arianizado"... Após extensa destruição no grande ataque aéreo em novembro de 1943, o teatro cabaré "Die Wühlmäuse" usou as salas que haviam sido preservadas, como local para jogos. Foi demolido mais tarde... (Karen Noetzel -- bairro Schoeneberg).


Um nome precisa ser destacado na história de Berlim, principalmente no que se refere ao tema da vida gay: Magnus Hirschfeld. O Dr. Hirschfeld foi um sexólogo que conseguiu mudar o modo de se ver a homossexualidade no seu tempo: "Posso dizer que se os homossexuais em Berlim agora recebem uma 'new way of life', tão única, é sobretudo graças ao nosso movimento iluminista, sem, evidentemente, querer ser responsabilizado por certos excessos que também aqui se instalaram ao longo do tempo...”, afirma Hirschfeld. Detalhes sobre o engajamento do Dr. Magnus Hirschfeld para os direitos homossexuais e da idealização da vida cosmopolita berlinense na narrativa de Isherwood só fui conhecer melhor bem depois da minha chegada à Áustria e à Alemanha nos anos de 1981 e 1991, respectivamente. Novas leituras vieram com o livro que encontrei na casa do meu anfitrião na cidade de Berlim intitulado “Das andere Berlin”, de Robert Beachy, publicado pela editora Sieder, um verdadeiro tratado da história gay de Berlim. O original data de 2014 e foi escrito em inglês: “Gay Berlin. Birthplace of a Modern Identity”. Votando ao Dr. Hirschfeld, nota-se que, dado o ineditismo do seu trabalho, não precisava de modéstia ao descrever o muito que fez pela causa. Em um artigo de 1922 para a revista gay de Berlim, "Die Hoffnung" (A Esperança), já se colocava com argumentos "científicos" em defesa de uma descriminalização da homossexualidade, conceito inexistente na época e algo impensável de se defender publicamente: 

Magnus Hirschfeld conseguiu convencer a polícia criminal de Berlim de que a homossexualidade não era um "vício adquirido", mas inerradicável. Os funcionários então perceberam que era mais fácil manter os "gays" sob controle se lhes fosse dada liberdade. A esse respeito, não apenas ele, como médico e reconhecido especialista em questões da sexualidade, mas também seus camaradas políticos no "Comitê Científico Humanitário" (WhK), fundado em 1897, tiveram sua participação em uma florescente comunidade homossexual, subcultura que, no entanto, foi pisoteada, rápida e novamente esmagada, desta feita pelas botas dos nacional-socialistas.(4)

 Foto 5: Monumento ao primeiro movimento de emancipação homossexual. 

    Para mostrar a relevância desse período libertador de Berlim e do movimento que tinha a frente o Dr. Hirschfeld, a aliança contra a homofobia realizou em 2013, por toda a cidade,  uma campanha com cartazes que traziam o seguinte slogan "Um tempo escuro para o mundo começou em Berlim" mas também o  movimento mais colorido que já existiu”. Em 7 de setembro de 2017, o monumento ao primeiro movimento de emancipação homossexual foi inaugurado às margens do rio Spree, entre as pontes Luther e Moltke, em Berlim. Há hoje uma Sociedade que busca preservar o legado científico e cultural de Magnus Hirschfeld e seu Instituto de Ciências Sexuais, nomeadamente, a Sociedade Magnus Hirschfeld localizada no bairro Berlin-Tiergarten, que tem, além de uma biblioteca, várias salas de trabalho/estudo.

    Fuggerstraße é, ao mesmo tempo, destino e passagem: seja para ir ao restaurante mexicano "Frida y Diego", uma boa opção de extravagância na decoração e variedade no cardápio, a um mais contemporâneo, o "Elefant", seja para seguir em busca de um café com as famosas tortas alemãs, por exemplo o Café Kalwil na Motzstraße, cuja decoração excede o barroco. É lá, onde antes me refestelava com seus pecados doces e, mais recentemente, limito-me ao que é possível, resistindo ao rol de tortas e bolos expostos, "tentadoramente", na vitrine art déco. A idade exige alguns sacrifícios e controles alimentares, mas para quem não tem essas preocupações, vale a pena se sentar em um dos muitos cafés que são facilmente avistados na região e aproveitar as especialidades da culinária tradicional alemã e internacional. A rua Fugger é, poertanto, uma passagem estratégica para muitos locais gays de variada natureza; alguns ainda se quer frequentar como Prinzknecht, Dreizehn, Tramp's... outros são dispensados, já que são direcionados a públicos muito específicos e já não nos interessam ou nunca interessaram. Há também muitas livrarias especializadas na cultura queer, agências de viagem para esse público, e até mesmo corretoras de imóveis do ramo. Ali se encontra uma grande oferta em hotéis, saunas, além de uma variedade de estabelecimentos voltado ao público gay. Há sempre alguma coisa para todos os gostos nesse bairro, seja uma chapelaria elegante ou uma sex shop, a mistura de diversas "tribos" dá o tom do lugar que já na época do Christopher primava em ser aberto e inclusivo.




Photo 6: Nollendorfplatz U-Bahnstation


    A área ao redor de Nollendorfplat tem sido a meca dos gays desde a década de 1920 com seu “Eldorado” do passado. Na Nollendorfstraße 17, uma placa em homenagem ao ilustre Christopher Isherwood, nosso escritor instigante e morador famoso do bairro. Para expor uma ideia de tolerância na região e “marcar território”, a bandeira do arco-íris é vista em profusão, seja em janelas de casas e apartamentos ou em prédios comerciais. Na redondeza há um Weihnachtsmarket (Mercado de natal) que tem no público e no comércio gay o seu maior peso.


Nollendorfstraße 17
Aqui viveu Christopher Isherwood entre 1929 e

1933. 


Na Fuggerstraße e Motzstraße passando pela Maaßenstraße e Nollendorfplatz, uma variedade de bares, clubes, restaurantes e lojas direcionadas, principalmente ao público gay, fazem do “Nollendorfkiez (distrito de Nollendorf)“ uma espécie de pequena San Francisco. Atente-se  para a placa em homenagem às vítimas gays e lésbicas do nacional-socialismo que foi afixada na parede externa da estação de metrô Nollendorfplatz. 


Foto 7: Placa em homenagem às vítimas gays e lésbicas do nacional-socialismo

    Berlim é uma metrópole e como tal guarda não somente boas surpresas. Como em todo bairro “arco-íris” e boêmio, Nollendorfkiez também tem certos recantos com histórias desagradáveis. Há um pequeno playground na área, localizado estrategicamente na esquina da Fuggerstraße com a Eisenacher Straße em Schöneberg, uma região com vários bares, no qual alguns garotos de programa se encontram e ficam à espera de eventuais clientes que por ali passem. Sabe-se, seja pela imprensa ou por relatos, de muitas histórias de assaltos, assédios, principalmente tendo como vítimas pessoas mais idosas, que se aventuram por ali. Apesar de ser necessário redobrar a atenção nesses locais do bairro, nada consegue tirar seu glamour; nada impede o prazer de um passeio sozinho, com a família,  amigos ou, no caso, de mãos dadas com seu/sua namorad@! Aqui não precisa ser Christopher Street Day para se  portar com liberdade e se expor. Algo simples, do cotidiano de um bairro/cidade que se acostumou a conviver com as diferenças e a lutar por defendê-las. Uma alternativa para ir à região é descer na estação de metrô Wittenbergplatz, que leva também à região dessas ruas coloridas.  Considerada uma jóia arquitetônica, a estação de Wittenbergplatz, leva diretamente à Tauentzienstraße com sua famosa loja de departamentos “KaDeWe” e muitas outras lojas ou estabelecimentos gastronômicos de igual poder de atração (Anziehungskraft). Gosto, particularmente, de descer nessa estação para flanar pelas largas calçadas com suas muitas lojas de rua. Para conhecer um pouco do mundo luxuoso da moda, as vitrines das grifes internacionais não estão muito longes, basta "esticar" o passeio pela Ku'damm. Aí estão garantidas as vitrines nas calçadas ou nas lojas com le deniere cri das grandes marcas, seja Louis Vuitton, Chanel ou Prada.  N’import quoi, foi luxo, semiluxo ou popular se encontra por aqui. 


Photo 8: Wittenbergplatz metro station


Este passeio também pode remeter a certas lembranças “recuerdos” dos tempos em que ainda havia duas  "Berlim". Aqui se faz um passeio atual nesses tempos sem muros, num “esquenta” para depois cair na gandaia. Começando com uma visita à loja “KaDeWe” (Kaufhaus des Westens), símbolo da vida entre o “comunismo e o capitalismo, DDR x Deutschland”; antigo sonho de consumo de muitos alemães na cidade dividida e, ainda hoje, de muitos turistas. O prédio reconstruído no pós-guerra traz, nos seus sete andares, uma amostra do que seria a maior e mais famosa loja de departamentos da Alemanha. Além de mercearias e lojas, há também restaurantes e cafés. Objetos, roupas e gastronomia, tutti quanti nos diferentes pisos, além da grande variedade em perfumaria e similares, no andar térreo. Não falta um serviço de cuidados pessoais just on time que é atrelado à venda de algum cosmético. O self service é um convite permanente para quem quer evitar restaurantes de rua e fazer uma refeição ali mesmo. Recomendo o salmão acompanhado por uma variedade de legumes e saladas, se quiser ser exótico é só acrescentar uma porção de Sauerkraut. Depois disso, por que não descer um andar e procurar um dos muitos cafés com suas Delikatessen deliciosas? Para chocólatras e alcohol friends há os dois em abundância e com categoria; tanto para consumo local como para quem quer levar alguma coisa especial de presente na bagagem. Sem esquecer que cá estão também as marcas de Londres, Milão, Paris etc. Saindo da “KaDeWe”, se não quiser continuar com a onda consumista (Konsumwahn), o melhor é ir em direção à Fugger- ou Motzstraße e/ou vizinhança para ver o que está acontecendo em seus diferentes locais, seja noite ou dia.



Foto 9: Der neue Oldtimer

    Alí perto há um desses locais que gosto de mencionar. Trata-se do "Der neue Oldtimer". Liderado por sua proprietária, uma senhora nos seus mais de setenta anos, é um bric-à-brac de seres e objetos. Compensa ir para um after hour, pois nesse período pode-se ter mais sossego por lá. Já no verão é até possível sentar-se fora, no jardim que é protegido por uma cerca verde meio improvisada, que dá para a movimentada Lietzenburger Straße. Até lembra uma casa de campo no meio da cidade. A senhora proprietária gosta de cumprimentar a todos que adentram o recinto, e para quem bebe, até brinda oferecendo uma pequena Schnapps ao pé do balcão. Meu amigo, quase um habitué, a conhece, e vice-versa, o que o torna o destino de seus cumprimentos calorosos cada vez que é percebido em nossa chegada. Por extensão recebo os mesmos calorosos cumprimentos. Com sua voz grave, peruca um tanto anacrônica mas bem penteada e trajes sempre exageradamente brilhosos, estende a mão direita e faz questão de perguntar como estamos. Acho o local pitoresco e, por isso, vamos lá de passagem, vez ou outra (hin und wieder), eu para tomar uma Apfelschorle enquanto meu amigo, um Cabernet. 

Não posso esquecer de indicar, principalmente aos que se dedicam ou, de algum modo, se interessam ou têm curiosidade pelos “Queerstudies”, uma visita ao, também localizado na região, Schwules Museum de Berlim (Museu gay de Berlim). Ali sempre será possível, de algum ângulo específico ou original, ver o mundo da cena gay, lésbica e transgênera em diversas abordagens histórias e ilustrativas. Há também exposições temporárias. Essa junção de exposições, biblioteca e arquivos fazem do museu um lugar ideal para a pesquisa, preservação e divulgação da história e cultura queer. O museu foi inaugurado em 1985 e se encontra no distrito de Tiergarten. 


Berlim, abril de 2023 e setembro de 2022.

Antonio C. R. Tupinambá

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(1) As fotos são do acervo do autor (apenas a Foto 3 não é autoral)

(2) https://www.imdb.com/title/tt0068327/

(3) https://www.otempo.com.br/entretenimento/magazine/historia-real-de-um-sobrevivente-1.307939

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English version:

*The Berlin that is not just in the past or a Goodbye to Berlin 

Photo 1:  District of Schöneberg (1)


Nature played a trick on me

Charlotte von Mahlsdorf


Goodbye to Berlin, a book by Christopher Isherwood, was the autobiographical novel that inspired the famous Bob Fosse’s film “Cabaret” released in 1972 (It was not very faithful to the book in its “sexual” details) On the big screen Liza Minelli as the extravagant singer of a nightclub, Sally Bowles and Michael York as Brian Roberts (or Christopher Isherwood). The book was first published in 1939, at the time of the outbreak of the Second World War. Cambridge University student Brian Roberts arrives in Berlin in 1931 to continue his German studies. Without much money, he plans to make a living by teaching English while living in a cheap boarding house, where he befriends one of the tenants, the American Sally Bowles. She, an extravagant and always happy person, works as a singer at the decadent Kit Kat Klub, a cabaret-style venue. Sally's charged "outer facade" matches that of the Klub. She is advised by the omnipresent Master of Ceremonies of the place. Sally attracts Brian into her world, initially wanting to have him as one of her many lovers, until she discovers that, although available, as he is single, he is homosexual. Among other friends are Brian's students, the poor boy Fritz Wendel, who wants to be a gigolo to live a comfortable life, and the prim and beautiful Natalia Landauer, a rich Jewish heiress. Fritz initially sees Natalia as his lottery ticket, but ends up falling in love with her. However, Natalia is suspicious of his motives, as well as being unable to overcome their religious differences. Also in the lives of Sally and Brian enters the rich Baron Maximilian von Heune, who has the same vision of an extravagant life as Sally, but unlike her, with money to support himself. Max is willing to flatter his new friends with gifts and favors. Although the Nazi terror is uprising at that moment, they seem to pay little attention to that and they don’t take the necessary care under these circumstances. They end up having to learn that life, in all its good and particularly bad aspects, continues to mess with them and everyone else around them.(2)

I read Isherwood's books when I was still living in Cologne, long before I visited Berlin to the first time. I was very touched by Isherwood´s writings: “A single man”, “The memorial” and “Goodbye to Berlin”. It was mainly the third one that mobilized me to seek more information about the history of Berlin, especially from the perspective of its freedom and advances in the sexual field. In other European cities at that time, in the 1930s/40s Berlin showed already a certain advance in this direction, if compared with other metropolises such as London. It was stimulating to seek to know more about this little-told side of German as well as Berlin urban social history. In the nineties, when in Berlin, we went to visit the Charlotte von Mahlsdorf house/museum in the old eastern part of the city (German Democratic Republic, former DDR). An iconic figure who confronted the conservatives of his time and, amazingly, lived not only openly as gay, going even much further than that. It worth to remember that this happened in a time and place when there shouldn't be “gays” at least officially. Charlotte von Mahlsdorf was a bulwark against homophobia and for promoting knowledge about homosexuality, a major taboo in the time and place in which she lived. However, she not only won admiration and respect for her past of struggle and engagement. The doubts that hovered over events in her previous life, the suspicions about her dangerous relations with the Stasi, the DDR's main secret police and intelligence organization, compromised her reputation. Relationships that aroused suspicion, rightly so, and meant that her museum and herself often became victims of violent attacks by different people and anti-fascist groups.

If she had been in her early 30s and not 72, many would certainly have decided to consider her a person who gave up. Charlotte von Mahlsdorf, who as a transsexual from East Berlin and owner of the Mahlsdorf Gründerzeit Museum became a prominent Berliner after reunification, emigrated to Sweden two years ago. True outsiders generally prefer countries further south with warmer temperatures, such as Portugal or Morocco. However, Charlotte, born Lothar Berfelde, has always been different from other people. Her stock phrase, which she repeats to everyone she speaks to, was even captured on celluloid in Heiner Carow's legendary gay film "Coming Out": "Nature played a trick on me." In the mid-1990s, the grande dame of the pendulum clocks and the cabinets made headlines because his contacts with the Stasi could be proven. Although she did not deny it, she always emphasized that she "just got into it", but she never harmed anyone. Everything she did was only for her objects and furniture (Simone Schmollack, welt.de). 

Photo 2: Visit to the Museum Mahlsdorf

The semi-documentary directed by Rosa von Praunheim, which shows the journey of the former East German transvestite Charlotte von Mahlsdorf, survivor of Nazism and communist repression and founder of one of the main refuges for homosexuals in her country. In the United States it became "I Am My Own Wife” on Broadway by Doug Wright based on conversations he had with Charlotte von Mahlsdorf. In Portugal it took shape in the theater with the translation “I am my own wife”.


 Photo 3: Poster for the play “I Am My Own Woman”

Edwin Luisi, at 61 years old, in full maturity as an actor, decided to produce his first theatrical play. The actor brought to the stage the real story of Charlotte von Mahlsdorf, this very unique survivor of Nazi Germany.

Born in Germany in 1928, Charlotte von Mahlsdorf was, in fact, Lothar Berfelde, a man who, since his adolescence, had disguised himself as a woman. The play “I am my own wife", which marks Herson Capri's first direction, tells the story of this German man who, as the text of the play says, even when he was straight he seemed to have breasts and, to become a woman, he only needed his pearl necklace and a long black skirt. Born and raised in East Germany, she survived Nazism and then Communism by running a clandestine cabaret and setting up a museum. A story that has ingredients such as violence, love and prejudice. Edwin Luisi, alone on stage, plays, in addition to Charlotte, all the other characters that were part of her life.(3)

Isherwood's novel, which made me want to know more about the history of Berlin's golden years, is autobiographical and set in Berlin at the beginning of the 1930s, when the city was about to lose its reputation as a center of art, music, design, bohemia and decadence, “as economic ruin began to become part of everyday life and Nazi violence took hold in the streets, while Hitler began his march to become the Führer”.

Autumn 1930: Isherwood lives in a “large, dirty apartment” on a busy street, where prostitutes gather outside his window. The apartment is owned by the “new poor” Fräulein Schroeder, who followed the fate of her other compatriots by also becoming one of many to go through difficult times. For her, “Herr Issyvoo” is an object of great curiosity and interest, as well as his other tenants, altogether six, who let her sleep on an old sofa in the living room so that she could earn a few more Deutsche Mark by renting out the other rooms in her home. Despite having moved from a conservative and homophobic London and, on top of that, coming from an equally conservative family to a tolerant and avant-garde Berlin with countless gay bars, theaters, cabarets, he could still enjoy a libertarian experience in a short remained time for that. He arrived in the city just as this “paradise" on earth was falling apart. “Tolerance and acceptance were about to be crushed by the Nazi regime, when anti-Semitism and intolerance became part of the conversation of ordinary Germans looking for scapegoats for their economic problems ". Christopher himself would have been in great danger of being captured by the Nazis if he had not fled Berlin in time. Christopher's literature was a warning and a denunciation of the horrors that were yet to come to dominate the city that was known as tolerant and permissive: the first city in the world to create a homosexual association with the aim of protecting its gay and lesbian population, so that they could obtain recognition and official protection from persecution. This innovative association dates back to 1897, which means it was created well over a century ago. The boom of bars and clubs in the 1920s was replaced by the difficult period that began in 1934. The local population who survived the war and despite what they went through in those difficult times, were looking for a way to live again in the equally difficult post-war times, but a new time with some hope of overcoming. In 1946,  balls and parties soon grew again and gradually formed an alternative scene in the city until reaching its  current stage. Despite having lost much of the openness and avant-garde significance of its past, it continues to be a setting for many options, associations, museums and events in what is one of the most cosmopolitan capitals in Europe. 

Photo 4: Plaque on the house where Christopher Isherwood lived in Berlin.

For a reconciliation (Wiedergutmachung) with this authentic past of the city, I begin by describing certain streets in the region today, in the same region that was home to Christopher's stories and Berlin life then. This will be our starting point. In fact, let's start with Nollendorfplatz, in the Schöneberg district, a point of confluence of the gay and lesbian scene since the 1920s. Let's move on to those streets “about which I have been talking to you before” so I can show you what caught my attention in them. Today's Berlin brings many tribes together and, in this region mainly (but not only), the queer culture. “Fugger” or “Fuggerstraße” and Motzstraße are two such streets. Much of the flair of the colorful and gay-friendly Berlin that preceded Nazism reigned here again. There is a coexistence of sub-cultures that, as Karen Noetzel rightly states, takes us back to the Golden Twenties:

There, as soon as you turn the corner, on Martin-Luther-Strasse, "Tout Berlin" met between 1926 and 1932 in the attractive first "Eldorado", a "transvestite company staged by and for cosmopolitan curiosity"... At the time, it was fashionable to spend the night here. The guests were bank directors, members of the Reichstag and stars such as Marlene Dietrich, Claire Waldoff and Anita Berber, prominent journalists and writers such as Egon Erwin Kisch and Ferdinand Bruckner, sexologist Magnus Hirschfeld and SA chief Ernst Röhm… Founded in 1920, The "Scala" was one of the most famous variety theaters in Germany... The "Scala", previously largely Jewish-owned, was "aryanized"... After extensive destruction in the great air raid in November 1943, the cabaret theater "Die Wühlmäuse" used the rooms that had been preserved as a Casino. It was later demolished... (Karen Noetzel from the Schoeneberg neighborhood).

A special name needs to be highlighted in the history of Berlin when it comes to the issue of homosexuality: Magnus Hirschfeld. Dr. Hirschfeld was a sexologist who managed to change the way homosexuality was seen in his time: "I can say that if homosexuals in Berlin now receive a 'new way of life', so unique, it is above all thanks to our Enlightenment movement, without, of course, wanting to be held responsible for certain excesses that have also taken hold here over time..”, states Hirschfeld. I just came to know better details about Dr. Magnus Hirschfeld's commitment to homosexual rights and about the idealization of Berlin's cosmopolitan life in the narrative of Isherwood later after my arrival in Austria and Germany in 1981 and 1991. Even new readings about that subject just came to me after finding a book at my host's house in Berlin entitled “Das andere Berlin”, by Robert Beachy, published by Sieder. This book is a true treatise on the gay history of Berlin. Its original  publication dates back to 2014 and was in English: “Gay Berlin. Birthplace of a Modern Identity”. Let’s talk again about Dr. Hirschfeld: it is clear that, given the originality of his work, there was no need for his modesty when describing how much he did for the gay cause. In a 1922 article for the Berlin gay magazine, "Die Hoffnung" (Hope), he already put forward "scientific" arguments in defense of the decriminalization of homosexuality, a concept that did not exist at the time and something unthinkable to be defended publicly:

Magnus Hirschfeld managed to convince the Berlin criminal police that homosexuality was not an "acquired vice", but ineradicable. The officials then realized that it was easier to keep the "fags" under control if they were given freedom. In this regard, not only he, as a doctor and recognized expert on sexuality issues, but also his political comrades in the "Humanitarian Scientific Committee" (WhK), founded in 1897, took part in a flourishing homosexual community, a subculture that, however, was trampled quickly and crushed again, but this time by the boots of the National Socialists.(4) 

Photo 5: Monument to the first homosexual emancipation movement.

To show the relevance of this liberating period in Berlin as well as the movement led by Dr. Hirschfeld, the alliance against homophobia carried out a campaign throughout the city in 2013 with posters bearing the following slogan “A dark time for the world began in Berlin. But also the most colorful movement that ever existed.” On September 7, 2017, the monument to the first homosexual emancipation movement was inaugurated on the banks of the River Spree, between the Luther and Moltke bridges in Berlin. Today there is a Society that seeks to preserve the scientific and cultural legacy of Magnus Hirschfeld and his Institute of Sexual Sciences, namely, the Magnus Hirschfeld Society, which has, in addition to a library, several work/study rooms and is located in the Berlin-Tiergarten District.

Fuggerstraße is, at the same time, destination and passage: whether to go to the Mexican restaurant "Frida y Diego", a good option for extravagance in decoration and variety in the menu, to a more contemporary one, "Elefant", or to continue in search of a café with famous German pies, for example Café Kalwil on Motzstraße, whose decor exceeds baroque. It is there, where I used to revel in its sweet sins and, more recently, limit myself to what is possible, resisting the list of pies and cakes displayed, "temptingly", in the art deco window. Age requires some sacrifices and dietary controls. It's worth sitting in one of the many cafes that are easily seen in the region and enjoying the specialties of traditional German and international cuisine. Fugger Street is, therefore, a strategic passage to many gay places of varying nature; which some people still want to attend, other places are dismissed, they no longer interest us or never did; there are also many in queer culture specialized bookstores or in specific trips for this audience, and even real estate agents in the field. There you will find a wide range of hotels, saunas, as well as a variety of establishments aimed at the gay public. There is always something for all tastes in this neighborhood that mixes different public and even in Christopher's time was already known as open and inclusive. 

Photo 6: Nollendorfplatz Station

The area around Nollendorfplatz has been a gay mecca since the 1920s with its “Eldorado” of yesterday. At Nollendorfstraße 17, a plaque commemorating the illustrious Christopher Isherwood, our thought-provoking writer and famous resident of the neighborhood. To expose an idea of tolerance in the region and “to define their own territory”, the rainbow flag is seen in profusion, whether in windows of houses and apartments or in commercial buildings.

On Fuggerstraße and Motzstraße and along Maaßenstraße and Nollendorfplatz, we can see a variety of bars, clubs, restaurants and shops aimed, mainly at the gay public, which make “Nollendorfkiez (Nollendorf district)“ a kind of little San Francisco. It is worth to pay attention  to the gay and lesbian victims of National Socialism commemorating plaque that was posted on the outside wall of the Nollendorfplatz metro station. 

Photo 7: Plaque in honor of the gay and lesbian victims of National Socialism

Berlin is a metropolis and as such holds not only good surprises. As in every “rainbow” and bohemian neighborhood, Nollendorfkiez also has certain corners with unpleasant stories. There is a small playground strategically located on the corner of Fuggerstraße and Eisenacher Straße in Schöneberg, an area with several bars, where some boys meet and wait for any customers who pass by. It is known, whether through the press or reports, of many stories of robberies and harassment, mainly involving older people who dare to venture there as victims. Although it is necessary to pay extra attention to places like that in the neighborhood, nothing can take away the glamour of the Keitz; nothing stops the pleasure of a lonely promenade, or with some family members, friends or, even, hand in hand with a girl/boyfriend! It doesn't have to be Christopher Street Day here to behave with freedom and exposure. Something simple, from everyday life in a neighborhood/city that has become accustomed to living with differences and fighting to defend them. A good alternative to go to the region is to get off at the Wittenbergplatz metro station, from where you can go easily to the area of these colorful streets. Also considered an architectural jewel, Wittenbergplatz station leads directly to Tauentzienstraße with its famous “KaDeWe” department store and many other equally attractive shops and gastronomic establishments. I particularly like getting off at this station to stroll along the wide sidewalks with their many street shops. N’import quoi, if you look for some luxury, semi-luxury or popular you will certainly find here. 


Photo 8: Wittenbergplatz metro station

This is a tour that brings back certain “retro” memories of the times when the Berlin Wall still existed. A current strolling in these times without walls to limit your way as a “warm up” to the night fever. Starting with a visit to the “KaDeWe” (Kaufhaus des Westens) store, a symbol of life between “communism and capitalism, DDR x Deutschland”; an old consumer dream of many Germans in the divided city and, even today, of many tourists. The building rebuilt in the post-war period features, on its seven floors, a sample of what would be the largest and most famous department store in Germany. In addition to grocery stores and shops, there are also restaurants and cafes. Objects, clothes and gastronomy, all on the different floors, in addition to the wide variety of perfumes and similar items, on the ground floor. There is no shortage of just-on-time personal care services linked to the sale of cosmetics. Self service restaurants are a permanent invitation for those who want to avoid street food and have a meal right there. I recommend the salmon accompanied by a variety of vegetables and salads, and if you want to be exotic just add a portion of Sauerkraut to it. After that, why not go down one floor and look for one of the many Cafes with their delicious Delikatessen? For chocoholics and alcohol friends there are both in abundance and with category; both for local consumption and for those who want to take something special as a gift in their luggage. Without forgetting that brands from London, Milan, Paris, etc. are also here. Leaving “KaDeWe”, if you don't want to continue with the consumerist wave (Konsumwahn), the best thing is to go out towards Fugger- or Motzstraße and/or the neighborhood to see what is happening in its different locations, whether night or day. 

Photo 9: Der neue Oldtimer

Nearby there is one of those places that I like to mention. This is "Der neue Oldtimer". Led by its owner, a “lady” in her seventies, it is a bric-à-brac of beings and objects. It's worth going for an after hour, as during this period you can have more peace and quiet there. In summer, it is even possible to sit outside, in the garden, which is protected by a semi-improvised green fence, which overlooks the busy Lietzenburger Street. It even resembles a country house in the middle of the city. The owner likes to greet everyone who enters the premises, and for those who drink, she even toasts by offering a small Schnapps at the counter. My friend, almost a habitué, knows her, and vice versa, which makes him the target of her warm greetings each time he is noticed upon our arrival. By extension I receive the same warm greetings. With her deep voice, somewhat anachronistic but well-combed wig and always exaggeratedly shiny outfits, she extends her right hand and makes a point of asking how we are. I think the place is picturesque and, therefore, we go there every now and then (hin und wieder), me to have an Apfelschorle while my friend, a Cabernet.

I cannot forget to recommend, especially to those who are dedicated or, in some way, interested or curious about “Queerstudies”, a visit to the Schwules Museum in Berlin (Gay Museum in Berlin), which is also located in the region. There it is always possible to see the world of the gay, lesbian and transgender scene in different historical and illustrative approaches and from some specific or original angle. There are also temporary exhibitions. This combination of exhibitions, library and archives makes the museum an ideal place for research, preservation and dissemination of queer history and culture. The museum was opened in 1985 and is located in the Tiergarten district.

Berlin, April 2023 and September 2022.

Antonio C. R. Tupinambá

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Iêmen:um nação devastada

 

                        Crianças no meio da guerra sem direito a escola.

A transição política esperada pelo Iêmen no período da Primavera Árabe falhou e acirrou seus problemas políticos internos. A esperança que vinha com a “Primavera política da região” foi substituída por um inverno longo, soturno e cruel que trouxe instabilidade, forçou o presidente Ali Saleh a passar o poder a seu sucessor, Abdrabbuh Hadi, levando-o a enfrentar uma série de problemas: ataques jihadistas, falta de apoio local e externo e incertezas sobre como se comportariam aqueles que seguiam leais ao ex-presidente. A ajuda humanitária foi inviabilizada no país fracionado pelas tropas rebeldes e forças hostis estrangeiras. Bloqueios terrestres, aéreos e marítimos orquestrados por coalizões comandadas pela Arábia Saudita, intervenção iraniana, política intervencionista estadunidense, movimentos separatistas internos passaram a promover um caos interminável. Em 2017 forças intervencionistas jogaram mais combustível no fogo da guerra: Donald Trump conseguia, naquela altura, agir para piorar a situação no Iêmen, o que Joe Biden, seu sucessor, segue fazendo. A mesma campanha de bombardeio fornecida pelos EUA de Trump que transformou escolas, hospitais, infraestrutura essencial e sítios antigos históricos em escombros é renovada por Biden. O bloqueio apoiado pelos EUA apenas impede o comércio de alimentos e bens básicos em um país que passa fome, além de trazer mais rivalidade entre os diferentes grupos internos em disputa. O movimento houthi atual alvo das bombas estadunidenses sempre foi uma pedra no sapato do então presidente Saleh. Quando os houthis avançaram em suas incursões terrestres aproveitando-se do pouco apoio e representatividade do presidente conseguiram tomar o controle das terras de Saada, a Noroeste do país e conquistaram sua capital, Sanaã. Enquanto isso o presidente Hadi não conseguia negociar com o grupo separatista, o que agravou a crise e inviabilizou ações de apoio à população devastada. 



                        Escola improvisada nos escombros da guerra



O Iêmen está à frente nas piores estatísticas da ONU, se encontra entre os mais pobres dos pobres e luta para sobreviver, preenchendo todos os requisitos de um "país fracassado", segundo definição cunhada por Noam Chomsky. O governo rendido do presidente Abdu Hadi foi um aliado dos EUA, que cooperava com os ataques contra terroristas da Al-Qaeda. Atualmente, além do problema com sua divisão, há o medo maior do país aprofundar a crise com a explosão da violência entre muitas facções como já se vê no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, nações que já provaram da malsucedida política externa intervencionista estadunindense. O melhor para os iemenitas seria que as grandes potências evitassem novas intervenções, uma política externa e estratégia que já se provaram desastrosas em todo o Oriente Médio. Assistimos perplexos às desproporcionais reações israelitas contra o povo palestino após o ataque terrorista do grupo Hammas a Israel e vimos, com clareza, que seria uma questão de tempo até que o conflito em Gaza se espalhasse para outras regiões. Lançando diversos ataques contra uma série de alvos houthis no Iêmen, torna-se falacioso aquilo que repetidamente disse o presidente Joe Biden sobre não quer ver a guerra de Israel na Faixa de Gaza se espalhar pelo Oriente Médio. A realidade é outra, já é possível registrar ações bélicas não apenas no Mar Vermelho, mas também em países como Líbano, Síria e Iraque. Os ataques ao Iêmen, em vez de buscar a paz, apenas incita a violência na região e colabora para a expansão do conflito Israel-Paliestina. Para os Houthis, quaisquer alvos americanos e britânicos se tornaram objetos de ataque das forças armadas iemenitas em resposta à agressão sofrida em seu território. Seguramente, ocorrerão outros ataques no Mar Vermelho em resposta aos bombardeios estadunidenses, determinando uma escalada na guerra com as bênçãos de Joe Biden.


Janeiro, 2024.


Antonio C. R. Tupinambá

Professor — UFC

E-mail: c_tupinamba@hotmail.com



terça-feira, 3 de outubro de 2023

O ataque do Azerbaijão à Armênia

 






Em amarelo, a região chamada Nagorno-Karabakh. Em verde e branco, região autoproclamada República de Artsakh (ou República de Nagorno-Karabakh) (Foto: Wikimedia Commons).


A república de Artsakh ou Nagorno-Karabakh reivindicava reconhecimento internacional desde os anos 1990 para poder se tornar um Estado independente e soberano. Artsakh (assim chamada em alusão a um dos reinos antigos da Armênia) ou Nagorno-Karabakh, cuja capital é Stepanakert fica em região montanhosa colonizada por armênios mas localizada em território hoje reivindicado pelo Azerbaijão. Local em que se travaram os últimos conflitos que resultaram na fuga da maioria dos seus habitantes, tornando-o um país quase fantasma. A brutal invasão foi efetuada pelas forças militares comandadas por Ilham Aliyev, o ditador do Azerbaijão, que sempre teve, para seus planos expansionistas, o apoio de outro ditador, o presidente turco Recep Erdoğan. O conflito na região sempre existiu mas nunca tinha chegado ao nível atual. Há tempos, muitos de seus habitantes perdem a vida em razão de tiroteios na fronteira com o Azerbaijão, fazendo com que aqueles territórios se tornem cidades-fantasmas, com um rastro de destruição que se estende a outras províncias desse país, que só existe para a população armênia local. Não bastou que os separatistas se rendessem e desistissem da criação da nova nação, a República de Nagorno-Karabakh; os algozes azerbaijanos continuaram atacando até que metade dos seus habitantes abandonassem aquelas terras em busca de abrigo além de suas fronteiras, na direção do território armênio. Nagorno-Karabakh foi, repetidas vezes, submetido ao jugo das grandes potências e teve que deixar de fazer parte da Armênia para se tornar, no stalinismo, parte da República Socialista Soviética do Azerbaijão apesar de sua população, já naquela época, ser formada quase que totalmente por armênios étnicos. Em épocas mais recentes, entre 1988 e 1994, Armênia e Azerbaijão voltaram a disputar  Nagorno-Karabahk. A quebra unilateral do atual cessar-fogo pela ditadura do Azerbaijão permitiu, mais uma vez, a destruição de milhares de vidas armênias sem que a comunidade internacional tomasse qualquer medida para evitar essas agressões. Conta-se cerca de 50 mil refugiados que em desespero cruzam a fronteira em direção à Armênia, ou seja quase 50% da população local. Como afirmou o Primeiro-Ministro armênio, Nikol Pashinyan, está em curso mais uma limpeza étnica contra o povo armênio. A guerra desproporcional que se reinicia tem o ditador azerbaijano como líder e o patrocínio da Turquia, a mesma nação que perpetrou um dos maiores genocídios da história, daquela feita contra o povo armênio. Enquanto isso, com sua inação, o governo de Vladimir Putin que deveria ajudar a Armênia na proteção da região se soma aos cúmplices de mais um desastre humanitário.


Antonio CR Tupinambá


Fortaleza, 2 de outubro de 2023.




Vila de Garni na província de Kotayk, na Armênia





                    Yerevan -- Capital da Armênia.



terça-feira, 29 de agosto de 2023

Os dilemas do novo Brics

 


        Bandeiras dos países membros atuais dos Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.


Brasil, Índia e África do Sul juntamente com Rússia e China se somarão à Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã e Etiópia para dar corpo ao que se conhecerá pelo Brics em sua nova formação a partir de janeiro de 2024. A sigla adotada continuará a mesma adicionada de um sinal +, Brics+, referindo-se ao grupo de origem e à sua sua última formação antes do ingresso dos novos membros. O que daí virá, no entanto, não deixa de aportar dúvidas, ainda que se esteja falando de um bloco não apenas de natureza econômica que visa se consolidar como um dos atores de relevância no cenário internacional e com o objetivo de se tornar um contraponto ao G7, o grupo formado pelas 7 maiores economias do planeta, que hoje dita as regras do jogo no cenário mundial praticamente sozinho. 



Mapa com os membros atuais do Brics (destacados em cor azul).

Depois do anúncio do grupo em formação e atualizado com seus dez membros, questiona-se como lidar com esse novo Brics quando o assunto em pauta seja  “Direitos Humanos”. O que se esperar da posição de cinco dos seus novos integrantes, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã e Etiópia, nesse debate? 



O anúncio foi realizado pelo presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em entrevista a jornalistas em Joanesburgo (África do Sul).
Ele estava acompanhado de Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia) e Sergey Lavrov (Rússia).


E quanto aos anteriores: Rússia, China e India?  As dificuldades atuais em decisões nessa área por conta das posições questionáveis de Rússia e China são conhecidas, e de certo modo um campo em negociação, dada sua relevância econômica e uma vez estarem numa relação de dois para três nesse quesito “garantia de direitos humanos” nos países do bloco. Para que lado penderá a balança nas decisões de Órgãos como o Conselho de Direitos Humanos da ONU se o Brics terá em seu quadro mais cinco ditaduras, a maioria delas conhecidas por suas práticas sanguinárias no tratamento de seus cidadãos e na preponderância do fundamentalismo religioso nas decisões de Estado? Sabe-se que até mesmo a diplomacia brasileira observa na entrada desses novos membros um grande dilema para suas estratégias na política externa, que se afirma progressista no quesito Direitos Humanos e tem se posicionado nessa perspectiva interna e externamente. Uma declaração a que foi signatário o novo grupo poderia não passar de uma encenação pública, um agrado à comunidade internacional e mesmo aos diplomatas brasileiros céticos sobre as intenções “humanitárias” do grupo. Seriam críveis essas intenções mencionadas pelo bloco em defesa de direitos humanos e da democracia? Com que legitimidade regimes totalitários como Irã, China, Rússia, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes ou Etiópia apoiarão necessárias resoluções em defesa dos direitos humanos se procedem como contumazes violadores desses direitos no cotidiano de sua politica de Estado?





            O que é o Brics?(1):

Brics é um grupo de países formado por cinco grandes economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A partir de 2024 o bloco acrescentará ao rol de países integrantes atuais seis novos membros: Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Irã. O Brics não é um bloco econômico e funciona como um mecanismo internacional de cooperação. Deve contribuir para a maior inserção das economias emergentes na economia mundial e no contexto geopolítico internacional. O objetivo do Brics é a promoção de medidas de crescimento econômico e desenvolvimento socioeconômico sustentável entre países emergentes. Reuniões de cúpula são realizadas anualmente (a Cúpula dos Brics) visando ao alinhamento de políticas de desenvolvimento social e à reafirmação da cooperação entre os países em diferentes áreas de interesse. Um novo Banco de Desenvolvimento (NDB), mais conhecido como “banco dos Brics” foi criado em 2014 para o financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos países emergentes. A criação do Banco do Brics significou um aumento na integração de seus países e ocorreu na 6a. reunião de cúpula em Fortaleza (Ceará-Brasil). Atualmente o Banco é dirigido pela ex-presidente Dilma Rousseff, que também esteve presente na reunião que criou o banco em Fortaleza.


Antonio C. R. Tupinambá

Professor titular. UFC

Agosto de 2023.

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(1) A partir do texto disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/geografia/bric.htm>. Acesso em: ago. 2023.

domingo, 27 de agosto de 2023

O 27 de agosto é, no Brasil, o Dia d@ Psicólog@.





Hoje, 27 de agosto, comemora-se o Dia d@ Psicólog@. Ao longo de mais de seis décadas houve tempo para se refletir sobre como a Psicologia, ciência e profissão, vem contribuindo para melhorar experiências humanas em diversas situações, inclusive após a experiência extrema e atual vivida no quadro de pandemia que assolou o Brasil e o mundo. A Psicologia vem se construindo por meio de estudos e práticas cada vez mais engajados com os problemas pessoais e sociais, contribuindo, dessa forma, para a promoção da qualidade de vida e para a emancipação humana. Em certa medida, como ocorreu durante a pandemia, busca adaptar-se para poder cumprir sua missão de conciliadora entre o sofrimento e sua superação. Além da atuação clássica e mais conhecida nos consultórios, outros cenários exigem uma readaptação do seu modus operandi, para que cumpra o papel de aliada na superação dos problemas humanos tradicionais e emergentes, principalmente em situações extremas como ocorreu durante a pandemia de covid 19. Nesse caso específico, com o esforço científico comum conseguiu-se desenvolver formas inovadoras de abordagem, virtuais e remotas, que ao lado dos modelos tradicionais e presenciais se tornaram meios eficientes de intervenção, viabilizando a abordagem e o amparo de pessoas que precisavam lidar, também psicologicamente, com a crise resultante da experiência traumática da pandemia. Há, portanto, a busca de constante atualização da Psicologia para que continue cumprindo sua missão original de ciência e profissão indispensável ao bem estar humano e social independente das circunstâncias e atrelada ao momento histórico em que se vive. Conhecimentos e aplicações da psicologia são, portanto, amplos e sempre melhorados para atender às atuais e emergentes necessidades humanas. A relevante experiência de Psicólogos, por exemplo em contexto de guerras e seus desdobramentos, implicam em novos paradigmas de ação para ajudar na superação dessas vivências indesejáveis e traumáticas. Muito do conhecimento psicológico foi recuperado e readequado para o enfrentamento de desafios gerados pelos atuais conflitos internacionais causadores de um novo mal estar na civilização, qual seja, a volta do êxodo e das inúmeras perdas em consequência desses conflitos/guerras, que ao contrário do que se pensava, não foram superados e tendem a aumentar no mundo hodierno. Tais ações dos profissionais de psicologia ainda pouco conhecidas são reveladoras dos esforços permanentes de uma ciência, que nasceu e evoluiu com a missão de ajudar a compreender e lidar com o sofrimento humano. Esses problemas mundiais emergentes e suas consequências desestabilizadoras para, principalmente, a parte mais fraca do elo social, o cidadão comum, são hoje parte do rol de preocupações e tarefas que vêm sendo acolhidas e tratadas pelos psicólogos de diferentes áreas. Com o reconhecimento da grandeza do profissional de psicologia, aproveitamos a data simbólica do “27 de agosto”, na qual foi regulamentada a profissão de Psicólogo no Brasil, para nos congratular com todos esses profissionais que contribuem com a difícil e nobre missão de promoção da saúde e do bem-estar humano em diversas situações e condições. Ao cumprir sua missão com a enorme responsabilidade e o comprometimento exigidos pelo seu trabalho, viabilizam uma busca contínua de compreensão da natureza humana, o que traz seus consequentes benefícios ao homem e à sociedade.


Antonio C. R. Tupinambá

Psicólogo


27 de agosto de 2023