POLIS

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O projeto nasce com foco no comportamento político nas sociedades contemporâneas e nos efeitos dos movimentos sociais e políticos atuais sobre as liberdades e processos emancipatórios, bem como seus impedimentos em escala local, nacional e global. Tem por objetivos o desenvolvimento de um campo interdisciplinar de reflexão e prática investigativa e divulgadora, reunindo debates em torno de questões como: preconceito, racismo, sexismo, xenofobia, movimentos sociais, violência coletiva social, relações de poder, movimentos emancipatórios de povos e nações, valores democráticos e autoritarismos, laicidade, análises de discursos e ideologias, de universos simbólicos e práticas institucionais. Nessa perspectiva, o Polis atua desde sua criação formal em 2013, como projeto de extensão e em 2015 como Blog para divulgação e atualização.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Bandeiras do arco-íris aguardam Egito e Irã no estádio de Seattle







Quando se vai de visita ou de mudança a um desses países teocráticos e intolerantes é questão de sobrevivência seguir suas rígidas regras culturais e religiosas sob risco de, ao não faze-lo, ser expulso ou até mesmo enjaulado. Quando esses mesmos ditadores de regras chegam em outros países não querem, em troca, respeitar princípios democráticos dos anfitriões porque “contradizem” seus valores. Isso é o que ora deve acontecer em Seattle, cidade estadunidense na qual ocorrerá a partida da Copa de 2026 entre Irã e Egito. Para o técnico negacionista da seleção iraniana nem vale a pena registrar a existência do que a cidade propõe fazer no dia do jogo: uma Parada do Orgulho (Pride Match). No entanto, para os organizadores, a Parada existirá sim, pois o jogo acontecerá na sexta-feira que antecede o final de semana do Orgulho (Pride Weekend), que deve celebrar a diversidade e a comunidade LGBTQ+. Disso, vai fazer parte a exibição de bandeiras com as cores do arco-íris — símbolo do orgulho LGBTQ+, da diversidade e da inclusão social — também dentro do estádio. Pouco importa se as intolerantes teocracias e seus representantes se incomodam com isso e apesar das reclamações do Irã e do Egito — países onde a homossexualidade é ilegal —, o evento será realizado. Representantes do comitê organizador de Seattle querem manter a data da "Partida do Orgulho" não por provocação mas por afirmação de um Fim de Semana já planejado, bem antes de o sorteio definir que ali jogariam Egito e Irã. Seus técnicos dizem estar ali somente pelo futebol e que se recusam a falar sobre coisas que são proibidas em sua religião e que não existem [para eles]. Sabe-se que não é bem assim pois ao redor do jogo falam de muitas outras coisas e, em seus países, pessoas LGBTQ+ existem sim, só que são perseguidas e combatidas. O time iraniano veio com outras demonstrações, que nada têm a ver com esporte, como o legítimo protesto que fizeram pelo que ocorreu no país com a invasão estadunidense. Os fãs trazem consigo várias expressões culturais de seus países para as arquibancadas e as ruas. Hedda McLendon, do comitê organizador da Copa do Mundo em Seattle expressou sua grande empolgação com o evento e afirmou em coletiva de imprensa sobre o dia da Parada: ”Pode não ser o seu estilo de vida ou como as coisas funcionam em seus países, mas isso é algo que nos torna únicos, e queremos que vocês vivenciem e que desperte sua curiosidade.”(1) Até mesmo a sisuda FIFA admitiu que a Copa do Mundo é um evento inclusivo que acolhe pessoas de todas as origens. “Torcedores de todas as orientações sexuais e identidades de gênero são bem-vindos nas partidas e nos eventos”. Os visitantes, se não querem conhecer o diferente, fiquem em casa restritos às experiências de intolerância de seus países, onde muitas vezes sequer aceitam  mulheres nos estádios para assistir a um jogo de futebol. Do contrário têm que, em terra alheia, aceitar outras regras de convivência e permitir que o mundo celebre a vida e as diferenças.



Antonio C. R. Tupinambá

26.06.2026



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1) Para maiores informações: Shaimaa Khalil, North America Correspondent and Regan Morris, BBC News senior journalist.

Rainbow flags await Egypt and Iran at awkward Pride Match. Disponível em: <https://www.bbc.com/sport/football/articles/ckg4k0ddg5go>.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

SAQUEAMOS O MUNDO E ENRIQUECEMOS ÀS SUAS CUSTAS, AGORA EXPULSAREMOS OS QUE SOBRARAM




Parlamento europeu imita os Estados Unidos da América de Trump e rejeita os migrantes. Quase todos são "persona non grata". É pobre? Vem de algum país lugar "suspeito"? Quer asilo? Você vai ser expulso para qualquer país periférico. Assim se institucionalizou a xenofobia com votos da direita e de ultraconservadores europeus.

Nas últimas décadas, a luta anti-imigração tornou-se a principal bandeira e eixo ideológico dos partidos e movimentos conservadores ao redor do mundo. Eles proclamam medo e desconfiança “em relação ao outro” ou àqueles que são “diferentes” e o desprezo pelos seres humanos é banalizado por causa da cor da pele ou simplesmente porque fogem de crises de guerra, clima ou miséria.

Com isso, o discurso da direita tem conquistado simpatia e votos entre os setores sociais que, em cada país, se sentem vítimas da concorrência desleal daqueles que vêm “de fora”. Embora preocupante, essa postura defensiva dos “locais” não é surpreendente: diante da redução sistemática e, em alguns casos, até mesmo do desmantelamento do Estado social, o imigrante é apresentado como uma competição arriscada pelos cidadãos locais mais marginalizados ou por aqueles que dependem da assistência social.

O dia 10 de fevereiro de 2026 vai ficar na memória da vergonha europeia. As duas mudanças fundamentais nas regras de migração promoveram a divisão entre humanos e não-humanos. Fora do Bloco da União Europeia poucos países serão tidos como seguros e seus habitantes (não são mais cidadãos) tidos como ameaça aos bem-nascidos dessa nova Europa. Os que são oriundos dos países e regiões que “não deram certo” ficam de fora, não importa o motivo e a legitimidade para sua busca de uma nova vida alhures. Nos vinte e sete países da UE não poderão entrar ou ficar. Não somente os distantes Bangladesh ou Índia fazem parte dessa lista. Colômbia, Egito, Kosovo, Marrocos e Tunísia e muitos outros tomam acento entre os a priori rejeitados.

Não fica só por aí. O Parlamento Europeu também criou uma estratégia para manter bem longe qualquer um que bata a sua porta, o conceito de um “terceiro país” seguro. Qualquer um dos 27 Estados da UE pode expulsar esses indesejados pretendentes ou solicitantes de asilo para um país, de preferência, bem longe, fora da região, abrindo um precedente para a criação de novos “campos de refugiados”, a exemplo do que já financia em vários países africanos. Uma grande “inspiradora” para essa estratégia veio da Itália com sua Primeira Ministra protofascista Georgia Meloni. 


Meloni é a primeira mulher a liderar um governo italiano e declarar estado de emergência no país, para criar as condições de facilitar a expulsão dos que chegam em busca de asilo. Em 9 de novembro de 1989 caía o muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo e da Europa no período pós-Segunda Grande Guerra. Neste momento novos muros — físicos ou políticos estão sendo construídos. O propósito é vedar o território europeu, tornar a Europa uma Fortaleza segura apenas para os seus. Seria essa a maneira de controle das formas de imigração ilegal? A resposta é sim para os que formam o grupo de Visegrado — Eslováquia, Hungria, Polônia e República Checa com o apoio da Áustria, Itália e Grécia. “Há décadas que barreiras protegem as fronteiras físicas da Europa. Os muros de Ceuta (1993) e Melilla (1996) foram os primeiros a ser erguidos, mas outros multiplicaram-se posteriormente, cobrindo agora mais de dois mil quilômetros de território. A Bulgária, por exemplo, o país mais pobre da UE [na qual entrou em 2007], instalou uma vedação de 97% da sua fronteira com a Turquia”.(1) A fabricação de um discurso contra esses seres humanos que fogem e "migram" tem o objetivo de a eles imputar toda a culpa pelo seu ato de deixar seu lugar de origem em busca de dias melhores em outros países, muitas vezes como única possibilidade de sobrevivência. No entanto, há de se pensar que mesmo o conceito de pessoas que migram, como se fossem aves de arribação, não corresponde ao que de fato ocorre com essas pessoas. Para Aktouf (2022), um dos exemplos mais odiosos do mecanismo de fabricação da falsa consciência pode ser resumido nessa palavra, tão diluída e tão dramática:  

…aquela pela qual designamos essa nova espécie humana vagando, errante e em desespero, por todos os lugares, chamada de “migrantes”. Não passa um dia sem que nossos ouvidos sejam alcançados pelos sons estridentes desses movimentos das multidões cada vez maiores, chamadas de "migrantes", que tentam de mil e uma maneiras, cada uma mais trágica que a outra, escapar da  angústia, do terror, da morte, das carnificinas organizadas, de guerras por procuração, da devastação de multinacionais, da fome extrema, da decadência absoluta ... Eles enfrentam muros e muralhas, arame farpado e minas, balas de metralhadoras e cercas... para, como dizem ... “migrar". Mas existem apenas algumas espécies animais que migram, nenhum humano o faz. Alguns humanos podem emigrar, circular, transumar, viajar ... mas “migrar” não! Estamos perante o mais sinistro eufemismo público da história: esses pobres coitados, destituídos de tudo e ameaçados até na carne e na vida, não migram. Eles fogem! Eles fogem de condições tornadas além do desumano pela voracidade das multinacionais, pelas guerras petroimperialistas (o caso de todo o Oriente Médio, por exemplo), pelas desigualdades insuportáveis, pela ganância dos dominantes. Não se pode chamar isso de “migrar”. Mas se faz isso por um mecanismo que o meu irmão argelino Nobel de Literatura, Albert Camus, já havia denunciado na sua época: “Nomear mal é contribuir para a infelicidade da humanidade”. Hoje em dia, essa falsa nomeação se tornou um instrumento de desinformação e deformação sistemática da realidade: em vez de  chamar essas pessoas pelo que realmente são, isto é, verdadeiros "resíduos mortificados vivos", segregados por um mundo assassino de ordem econômica, por suas múltiplas consequências, por suas guerras de expansão infinita, se utiliza de um eufemismo asqueroso "tranquilizador", fazendo-os passar por caprichosos resmungões insatisfeitos com sua situação original, invejosos do sucesso alheio…Esses pobres, quase "restos humanos ambulantes”, não são e nunca foram "migrantes": eles não são mais que vítimas das consequências das ações (pilhagem, devastação climática e ecológica, guerras, saques de terras e mares…) dos partidários desta ordem mundial neoliberal agora tão insustentável quanto criminosa, cujos governantes são tão loucos e cruéis quanto insaciáveis.(2)


Denominada de “Proposta Albânia”, Meloni assinou acordo com a Albânia para que recebesse solicitantes de asilo expulsos. A Grã-Bretanha também já havia tido proposta semelhante de terceirização de locação desses indesejáveis que chegassem a seu território. 10 de fevereiro será lembrado como um dia sombrio para os direitos humanos na UE. Como bem afirma Sundberg Diez, chefe da Anistia Internacional para questões de migração e asilo da União Europeia: “o Parlamento Europeu capitula diante de uma campanha de décadas para privar as pessoas de seus direitos humanos, começando pelos direitos de solicitantes de asilo, refugiados e migrantes”. Trata-se, portanto, de uma “mudança política preocupante que atinge o cerne dos princípios fundadores da União Europeia”.




Antonio C. R. Tupinambá

18 de junho de 2026.

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(1) Martin, M.; Ayuso, S.; Clemente, Y. El País, Madri. Estes muros que nos dividem. Courrier Internacional. Portugal: TIN, n. 327, p. 20 — 22.


(2) Aktouf, O. Prefácio. In: A. C. R. Tupinambá. Sobre Pessoas e Lugares Distantes. Polis & Plebeu. Fortaleza, 2022.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

FANON, o filme!























O revolucionário humanista Frantz Fanon e a luta contra o colonialismo europeu



O Filme “FANON” (2025) se baseia na história de vida do psiquiatra e revolucionário Frantz Fanon, nascido na Martinica, que enfrentou o sistema colonial francês a partir de seu trabalho em um hospital na Argélia. Durante a guerra anticolonial naquele país, então uma colônia francesa, Fanon deu um novo rumo à psiquiatria, bem como à luta antimanicomial, além de redefinir, com sua trajetória, a liberdade de homens e mulheres aprisionados ao jugo colonial francês. Luta anticolonial e um novo arcabouço teórico para a psiquiatria formam parte da herança deixada por Fanon para a humanidade. 

Jean-Claude Barny, diretor do filme que considero fiel à trajetória e digno desse grande homem, Fanon (magistralmente interpretado por Alexandre Bouyer), afirma que foi o próprio Fanon quem lhe permitiu ter uma visão única de como poderia integrar personagens de ascendência africana ao cinema universal e construir personagens que fossem completamente sinceras, autênticas e desprovidas de qualquer servidão à indústria cinematográfica: “Tínhamos a impressão de que estávamos criando alguém com um forte senso de humanidade e que era reconhecível como alguém dotado de uma espécie de sinceridade autêntica. Ele é um personagem que estava fora e acima do comum. Mas não podemos transformá-lo em um ícone intocável, um ícone irreal. O que nos interessa é trazê-lo de volta ao mundo dos vivos, e não ao mundo de um ícone póstumo. Primeiro tivemos que torná-lo tangível, torná-lo real. Tivemos que construir e desconstruir. Tivemos que edificar um ser humano – e esse ser humano tem um destino extraordinário.” Barny consegue com seu filme nos ofertar tudo isso que prometeu sendo fiel ao legado de Fanon. 

Mas quem foi Fanon?

Em 20 de julho de 1925, há pouco mais de um século, nascia o revolucionário psiquiatra e filósofo político Frantz Fanon. Veio ao mundo na ilha caribenha da Martinica mas cresceu como um cavalheiro do Império Francês, onde teve que encarar sua condição de homem negro, "nada além disso”, inferiorizado na sociedade dos homens brancos franceses. Privilégios de classe não o livraram desta marca racista no país que o adotou. O intelectual negro e militante anti-colonial publicou seu primeiro livro, Pele negra, máscaras brancas, em 1952; um ensaio sobre o racismo. No entanto, seu processo de politização e engajamento em lutas de emancipação e libertação humana do jugo colonialista iniciou no período que viveu e trabalhou nas colônias francesas no norte da África (começando pela Argélia). Como afirma Jean-Paul Sartre em prefácio a outro livro de Fanon “Os condenados da terra”, apesar da burguesia do século XIX considerar os operários pessoas invejosas, supostamente corrompidas por apetites grosseiros, ainda os incluía na espécie humana; eles ainda refletiam um certo humanismo que se pretendia universal. Essa não seria a atitude da mesma burguesia frente aos colonizados. Os soldados no ultramar rechaçavam tal universalismo metropolitano, rebaixavam o gênero humano no território anexado ao nível de um “macaco superior” para justificar seu tratamento pelos colonos como simples bestas de carga. O livro “Os condenados da terra” de Frantz Fanon foi publicado na mesma semana em que o autor falece em 1961 aos 36 anos. "Eu não vou viver o suficiente para ver uma Argélia livre", afirmou à sua esposa. De fato a independência da Argélia veio somente um ano após a sua morte. No dia da publicação, o livro foi condenado e banido na França. Esclarecedor sobre a colonização e descolonização no continente africano, seu texto nos leva além de um confronto com o pensamento de Fanon até chegar ao momento de sua luta e engajamento pela liberdade dos colonizados e escravizados da África. Certamente o banimento dessa obra pelos censores franceses não o teria abalado, ao contrário, teria sido motivo de orgulho para Fanon. Nele, o combate ativo ao racismo é implacável, foi quando a ideia do que se entende nos dias de hoje por antirracismo ganhou corpo. No seu tempo ousou falar abertamente de um tema que não era aceito nos salões literários franceses, tampouco na academia ou no meio político colonialista predominante. O chamado para uma ação antirracista, na qual se precisa desestruturar de maneira radical o inconsciente que normalizou a ideia de raça como inferioridade abalava as estruturas sócio-políticas calcificadas do neocolonialismo. Ao longo de sua vida, Fanon foi se deixando revelar como um homem que se movimenta de um choque original com o racismo francês até sua compreensão profunda da colonização ao redor do mundo; um Fanon que também dedicou suas habilidades para a cura daqueles que sofriam com a violência da colonização e do racismo.

Recomendo o filme aos que já conhecem ou aos que desejam conhecer esse homem que mostrou ao mundo o valor da luta pela emancipação humana.





domingo, 25 de janeiro de 2026

Nos Estados Unidos, já se comparam as ações do Serviço de Imigração às da Gestapo.*

 



Manifestantes usam uma caçamba de lixo como cobertura enquanto agentes federais disparam munições de controle de distúrbios contra eles, após agentes terem matado Alex Pretti a tiros em Minneapolis, no sábado, 24 de janeiro de 2026. Foto de Aaron Nesheim/AP. 

(https://www.euronews.com/2026/01/25/calls-grow-for-ice-to-leave-minnesota-after-latest-shooting-of-citizen)



Em 2020, no estado de Minnesota nos Estados Unidos, durante o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, tinha-se vivido o drama da execução de George Floyd. O homem negro de 40 anos foi morto por asfixia depois de ter o pescoço pressionado pelo joelho de um policial durante uma abordagem em alguma rua da cidade de Minneapolis. Em um momento diferente no atual segundo período de governo Trump, a brutalidade policial se repete, na mesma cidade, desta feita resultante de uma intervenção de policiais da força federal conhecida como Immigration and Customs Enforcement - “ICE”. O país que antes queria ser tratado como a maior democracia do planeta, hoje é um lugar de disputas; não se fala mais em integridade ou decência em seu território. Um império em profunda decadência moral. Como bem definiu Cornel West, filósofo e ativista afrodescendente de direitos humanos: “os Estados Unidos são regidos, alternadamente, por dois partidos que são como duas asas de um mesmo pássaro servindo às elites financeiras, ao complexo industrial-militar e perpetuando o neoliberalismo, agindo como uma ave de rapina que prejudica os pobres e a classe trabalhadora, tanto negros quanto brancos.” Também afirma, com razão, que nos Estados Unidos se vive, atualmente com Donald Trump, um momento “gangsterizado”. No último Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Trump se tornou “persona non grata” por seus ataques aos aliados e  declarada compulsão pela tomada da Groenlândia por meio da força. Paralelamente ao Fórum, criou um nomeado Conselho da Paz para desmoralizar a ONU e traçar um plano de domínio pessoal do planeta, que mais parece um conglomerado formado por assassinos e ditadores. Já no seu próprio país, em curso um regime de excessão ao modo das piore ditaduras que se tem notícia atualmente, só que, no caso dos Estados Unidos, com potencial para destruir o mundo. No país da “liberdade” não há mais uma constituição a ser seguida. Ao pior estilo de Luis XIV, rei da França, deixa ímplicito, que Ele é o Estado! Para tentar viabilizar seus desvarios totalitários tem enviado a diferentes cidades, membros do ICE para, a seu mando e com poder letal, fazer perseguições, oprimir e prender qualquer um que a eles possa parecer ou ser ecolhido como um alvo. Primeiro Renne Good, que sem motivação aparente foi assassinada por seus agentes a sangue frio. A seguir, não de outro modo, foi a vez do enfermeiro de UTI, Alex Pretti, que apenas por tentar proteger uma mulher a quem haviam lançado gás lacrimogêneo durante um protesto pacífico foi imobilizado por seis policiais mascarados e assassinado com dez tiros à queima-roupa efetuados em menos de 5 segundos. Ambos cidadãos americanos em seus 37 anos sem antecedentes criminais e exercendo seu direito de protesto contra um regime que já se tornou distópico. A barbaridade de um governo ditatorial e sem rumo, que tem à frente um homem sem raciocínio claro e que, ao falar sobre invadir a Groenlândia confunde-a com a Islândia, numa completa demonstração de incapacidade cognitiva para governar a que ainda é a maior e mais perigosa nação em termos bélicos do mundo. Este é um homem de pouca clareza em suas falas, que tem posto sua polícia em cidades, deliberadamente escolhidas, para desestabilizar governos opositores, atacando famílias e matando cidadãos que apenas agem à luz de seus direitos. Um monstro  que foi eleito por grande parte dos estadunidenses, inclusive aqueles de origem latina, asiática etc., que hoje estão pagando o preço de uma escolha equivocada e fruto de alienação política. Antes tarde do que nunca, multidões saem às ruas em diferentes cidades em todo o país também contando com muitos desses eleitores já arrependidos pela escolha mal feita. A indignação e o inconformismo com a arbitrariedade faz com que os protestos a céu aberto escalem, apesar das temperaturaras extremas nesse inverno estadunidense. Principalmente em Minnesota, estado onde ocorreu o último assassinato pelas mãos de policiais federais, massas se aglomeram e também saem pelas ruas portando cartazes com os nomes das duas últimas vítimas fatais das ações dos policiais de Trump. Outros trazem expressões claras de repúdio pela presença das sanguinárias tropas federais: “ICE OUT OF MINNESOTA!”, (Ice fora de Minnesota); “ABOLISH ICE” (Fim ao Ice) “MURDER was the case!” (Foi um caso de assassinato!) “Minnesota, Renee Good e Alex Pretti versus Evil (Evil/Demônio aqui referindo-se a Trump e seu “Ice”).  Não sem razão, o governador de Minnesota, Tim Walz, comparou o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) à polícia secreta da Alemanha nazista, a Gestapo: “A Gestapo moderna de Donald Trump está prendendo pessoas nas ruas", disse Walz. "Eles estão em vans sem identificação, usando máscaras, enviando suas vítimas para centros de tortura no exterior, sem chance de se defender, sem sequer poder se despedir de seus entes queridos; são simplesmente agarradas por agentes mascarados, jogadas nessas vans e, a seguir, desaparecem", acrescentou Walz. Desde que o presidente Donald Trump retornou ao cargo em janeiro de 2025 e iniciou a enviar suas tropas do ICE para os diferentes estados, especialmente aqueles com governantes do Partido Democrático, ficou evidente o aumento drástico do número de prisões de imigrantes em todo o país além da repressão de outros cidadãos que se oponham às suas ações antidemocráticas, o que já resultou nos recentes assassinatos de Renee Good e Alex Pretti, tragédias responsáveis por desencadear a onda de protestos anti-ICE e anti-Trump que podem levar a um ponto de virada na política nacional. 


Fortaleza, 25 de janeiro de 2026.

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*Gestapo: nome da polícia secreta, na Alemanha nazista.